Cães pequenos: como evitar a constipação?

04/01/17 em Nacional, Notícias   |  Nenhum comentário

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Os teores elevados e mix de fibras utilizados na alimentação também contribuem com o aumento da digestibilidade e melhora da consistência fecal, evitando, dessa forma, a constipação

Msc MV Luciana Peruca

Coordenadora de Comunicação Científica

Royal Canin Brasil

Os cães de porte pequeno (com até 10 kg quando adultos) possuem características anatomofisiológicas peculiares ocasionando predisposição à formação de cálculos urinários e dentais, apetite caprichoso e tendência à obesidade e constipação.

O sistema digestório de cães apresenta variações de acordo com o porte e, até mesmo, raça. Diversos estudos já foram realizados avaliando a frequência e qualidade das fezes de cães de porte grande de acordo com a qualidade do alimento fornecido (Meyer, et al., 1999). O escore fecal de cães é classificado de 1-5, sendo o escore 1 fezes líquidas ou diarreicas e 5, fezes muito firmes ou ressecadas. Cães de grande porte apresentam fezes com maior teor de umidade, portanto, com pior consistência fecal e um elevado tempo de trânsito colônico (TCC), que envolve o tempo de trânsito gastrointestinal superior (estômago + intestino delgado). Hernot e colaboradores confirmaram que o maior TCC resultou em elevada atividade fermentativa e significativo aumento nas concentrações de ácido lático e ácidos graxos de cadeia curta (AGCC). A produção de alta quantidade de AGCC excede a capacidade absortiva da mucosa colônica, ocasionando o acúmulo desse lipídio no lúmen do cólon. O aumento de pressão osmótica intra-luminal promovido pelo excesso de AGCC ocasiona uma elevada quantidade de água no cólon e, consequentemente, um pior escore fecal.

As diferenças em TCC e atividade fermentativa relacionadas ao porte são justificadas por características anatômicas distintas. Cães de pequeno porte possuem um TCC 4 vezes menor que cães grandes, o que reduz o  processo fermentativo e torna, consequentemente, a consistência fecal mais firme ou ressecadas.

As recomendações nutricionais de acordo com o tamanho do cão são baseadas em proteínas de alta qualidade e em quantidade ideal para a melhor consistência das fezes e, consequentemente, melhor escore fecal. Quanto mais digestível for a proteína, menor a quantidade de proteína intacta (não absorvida) que alcançará o cólon e, portanto, menor o processo fermentativo e melhor o escore fecal. As fontes e formas de amido, além do processamento pelo qual esse nutriente é submetido, influenciam na qualidade das fezes. O processamento (cozimento e moagem, por exemplo) desse nutriente é fundamental para a melhor digestibilidade de cães, independente de porte, idade ou raça. Os teores elevados e mix de fibras (solúveis e insolúveis, fermentáveis e não fermentáveis) utilizados na alimentação de cães pequenos também contribuem com o aumento da digestibilidade e melhora da consistência fecal, evitando, dessa forma, a constipação.

O fornecimento de alimentos que considerem as diferenças entre portes de cães é fundamental para a máxima digestibilidade e, consequentemente, melhor qualidade de vida e maior longevidade.

Referências bibliográficas:

Hernot, D.C., et al. Evaluation of association between body size and large intestinal transit time in healthy dogs. American Journal of Veterinary Research, 67(2):342-7, doi 10.2460/ajvr.67.2.342, 2006.

Meyer, H., et al. Digestibility and compatibility of mixed diets and faecal consistency in different breeds of dogs. Zentralbl Veterinarmed A. 46(3):155-65,1999.

Fonte: Cães e Gatos

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